Chico Buarque
05/03/2008
Brazilian singer, composer, guitarist, dramatist, and writer
No dia 19 de junho nasce, na Maternidade São Sebastião, no Largo do Machado, Rio de Janeiro, Francisco Buarque de Hollanda, o quarto dos sete filhos do historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda e da pianista amadora Maria Amélia Cesário Alvim.
Sérgio Buarque é convidado para dar aulas na Universidade de Roma e a família muda-se para a Itália. Compõe suas primeiras "marchinhas de carnaval" e torna-se trilingüe, falando inglês na escola (norte-americana) e italiano nas ruas.
Publica suas primeiras crônicas no jornal por ele batizado de Verbâmidas, do Colégio Santa Cruz. Sonhava um dia vê-las publicadas nas grandes revistas semanais, ao lado de cronistas consagrados.
Sua primeira aparição na imprensa, entretanto, não foi na seção cultural, como imaginava, mas nas páginas policiais do jornal Última Hora de São Paulo. Chico e um amigo "puxaram" um carro para dar umas voltas pela madrugada paulista, uma brincadeira comum na época. A diversão acabou na cadeia. A manchete destacava: "Pivetes furtaram um carro: presos" e estampava a foto dos dois menores, com os olhos cobertos pelas tarjas pretas. Como castigo, Chico foi proibido pelos pais de sair sozinho à noite até completar 18 anos.
Seu retorno ao Brasil é marcado pelo "barulho" organizado por recomendação de Vinicius de Moraes: muita gente o esperando no aeroporto, manifestações de amigos, entrevistas à imprensa e um show marcado na boate Sucata para lançar seu quarto LP, um disco de transição, gravado em circunstâncias complicadas. Afasta-se do samba tradicional, variando mais a linha das composições e revelando novas influências como a toada, em Rosa dos ventos, até o iê-iê-iê italiano em Cara a cara. A mudança se reflete também nas letras, nas quais ele parece desvencilhar-se explicitamente do lirismo nostálgico e descompromissado que antes parecia identificá-lo.
Volta-se para o protesto político com Apesar de você, uma resposta crítica ao regime ditatorial no qual o país ainda estava imerso. Surpreendentemente, a música passaria incólume pela censura prévia e se tornaria uma espécie de hino da resistência à ditadura. Depois de vender cerca de 100 mil cópias, a canção é censurada, o disco é retirado das lojas e até a fabrica da gravadora é fechada. Para o público, não havia dúvidas: o "você" da música era o general Emílio Garrastazu Médici, então presidente da República, em cujo governo foram cometidas as maiores atrocidades contra os opositores do regime. Ao ser interrogado sobre quem era o "você" da canção, Chico responde: "É uma mulher muito autoritária". Após este episódio, o cerco às suas composições endurece.
Participa do Circuito Universitário, com shows promovidos pelos centros acadêmicos das universidades por artistas com dificuldades em mostrar seu trabalho nos meios de comunicação.
Ao lado, entre outros nomes, do arquiteto Oscar Niemeyer, do editor Ênio Silveira, e de seu próprio pai, participa do Conselho do Cebrade - Centro Brasil Democrático - organização de intelectuais publicamente comprometidos com a luta contra a ditadura. A aproximação com o Cebrade lhe valeria, durante bom tempo, o rótulo de membro da "linha auxiliar" de um dos dois partidos comunistas brasileiros, o PCB, pró-Moscou.
Fecha contrato com a gravadora Ariola, após doze anos de Polygram. Por ironia do destino, a própria Polygram compraria a Ariola no ano seguinte.
A pedido da bailarina Marilena Ansaldi, faz as músicas para a peça Geni.
Participa da festa do Avante, órgão oficial do Partido Comunista Português, e do projeto Kalunga, em Angola, onde se apresenta, com mais 64 artistas brasileiros, por todo o país. A renda dos shows é destinada à construção de um hospital.
O cineasta argentino Maurício Berú realiza o documentário Certas palavras, sobre Chico Buarque, com participação - em números especiais ou depoimentos - de Caetano Veloso, Maria Bethânia, Vinícius de Moraes (que é filmado pela última vez), Toquinho, Francis Hime, Ruy Guerra, Miúcha, Sérgio Buarque de Hollanda e outros amigos e familiares.
Ainda em 1980, faz duas músicas para a peça O Último dos Nukupirus, de Ziraldo Gugu Olimecha.
Lança o LP Vida, que traz, entre outras, a música Eu te amo, feita especialmente para o filme homônimo de Arnaldo Jabor.
Lança seu primeiro romance, Estorvo, publicado pela Companhia das Letras, com o qual ganha o "Prêmio Jabuti de Literatura". Os direitos de publicação de Estorvo são rapidamente vendidos para sete países: França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Portugal. Neste último, a venda atingiu 7.500 exemplares em apenas três dias, surpreendendo a Editora Dom Quixote.
O filme Estorvo, de Ruy Guerra, concorre à Palma de Ouro do 53º Festival Internacional de Cinema de Cannes. Baseado em romance homônimo de Chico, é uma co-produção de Brasil-Cuba-Portugal. Traz no elenco o cubano Jorge Perugorría e os brasileiros Bianca Byington, Leonor Arocha e Tonico Oliveira.
A versão cinematográfica de Estorvo marca mais uma parceria de Ruy Guerra e Chico. Eles já haviam trabalhado juntos na peça Calabar e na adaptação para o cinema do musical A Ópera do Malandro.
Discography
- 1966: Chico Buarque de Hollanda (Vol. 1)
- 1966: Morte e Vida Severina
- 1967: Chico Buarque de Hollanda (Vol. 2)
- 1968: Chico Buarque de Hollanda (Vol. 3)
- 1969: Umas e outras - compacto
- 1969: Chico Buarque na Itália
- 1970: Apesar de você
- 1970: Per un pugno di samba
- 1970: Chico Buarque de Hollanda (Vol. 4)
- 1971: Construção
- 1972: Quando o carnaval chegar
- 1972: Caetano e Chico juntos e ao vivo
- 1973: Chico canta
- 1974: Sinal fechado
- 1975: Chico Buarque & Maria Bethânia ao vivo
- 1976: Meus caros amigos
- 1977: Cio da Terra compacto
- 1977: Os saltimbancos
- 1977: Gota d'água
- 1978: Chico Buarque (Samambaia)
- 1979: Ópera do Malandro
- 1980: Vida
- 1980: Show 1º de Maio compacto
- 1981: Almanaque
- 1981: Saltimbancos trapalhões
- 1982: Chico Buarque en espanhol
- 1983: Para viver um grande amor
- 1983: O grande circo místico
- 1984: Chico Buarque (Vermelho)
- 1985: O Corsário do rei
- 1985: Ópera do malandro
- 1985: Malandro
- 1986: Melhores momentos de Chico & Caetano
- 1987: Francisco
- 1988: Dança da meia-lua
- 1989: Chico Buarque
- 1990: Chico Buarque ao vivo Paris le Zenith
- 1993: Para Todos
- 1995: Uma palavra
- 1997: Terra
- 1998: As cidades
- 1998: Chico Buarque da Mangueira
- 1999: Chico ao vivo
- 2001: Chico e as cidades (DVD)
- 2001: Cambaio
- 2002: Chico Buarque – Duetos
- 2003: Chico ou o país da delicadeza perdida (DVD)
- 2005: Meu Caro Amigo (DVD)
- 2005: A Flor da Pele (DVD)
- 2005: Vai passar (DVD)
- 2005: Anos Dourados (DVD)
- 2005: Estação Derradeira (DVD)
- 2005: Bastidores (DVD)
- 2006: O Futebol (DVD)
- 2006: Romance (DVD)
- 2006: Uma Palavra (DVD)
- 2006: Carioca (CD + DVD with the documentary Desconstrução)
- 2007: Carioca Ao Vivo
Books-Plays-Films
1966: A Banda (Songbook)
1974: Fazenda Modelo
1979: Chapeuzinho Amarelo
1981: À Bordo do Rui Barbosa
1991: Estorvo
1995: Benjamin
2003: Budapest
1967/8: Roda Viva
1973: Calabar (coauthored with Ruy Guerra)
1975: Gota d'água
1978: Ópera do Malandro
1972: Quando o carnaval chegar (coauthor)
1983: Para viver um grande amor (coauthor) 1985: Ópera do Malandro